|
Antonio Miranda na entrada da cidade de Miranda, no
Estado de Mato Grosso do Sul.
AS PALAVRAS
não dizem tudo...
Eu é que incremento
com meu senti
mento. E lamento
não conseguir
ir mais além
— ou minto —
e consinto
outro entendimento.
A palavra (lavra!)
não é minha (sozinha)
— advinha
de quem ela é...
Sozinha não vale
nada, é nada.
Resignada
em sua limitação.
Palavra é ação
— intermediação!
Sim ou não?!
22/05/2022
MIRANDA, Antonio. Da perspectiva do corpo- Éditos e inéditos escolhidos pelo autor.
Editado poir Anelito de Oliveira. 58 p. 14 x 21 cm. ISBN 978-65—89056-20-1
No. 10 877
AS PALAVRAS
Para Victor Alegria
“as palavras não começaram
abstratas, mas concretas”. J. L. Borges
As palavras saltitam, pululam,
estão soltas, sem amarras.
Palavras vivas.
Sons, movimentos, sentimentos.
Se não, estão
petrificadas,
feitas de letras
— arquiteturas banais.
As palavras não representam,
elas são,
estão além dos significados
— ou seria, mais, bem,
aquém?
Libertadas dos dicionários
pelos campos
pelas fábricas, pelos lugares
de sua gestação.
Originárias, necessárias.
Elas exercem um poder
tanto porque podemos com elas
apoderar-nos do mundo
(ou conhecer)
quanto elas nos governam
e orientam.
As palavras são a música
das coisas nomináveis;
as formas das coisas:
o próprio som que elas emitem.
Podemos dar às palavras
o sentido que se queira
aprisioná-las em obras
de fina urdidura.
Mas nem sempre
-e felizmente –
as palavras levam à Razão,
vão ao imaginário
à beleza de sua condição:
as ondas equilibram o movimento
do mar, marmorizado nas palavras.
Podemos transformá-las
em textos decifráveis.
Esgarçá-las, montá-las
sobre uma superfície
limitante, e fria.
Não obstante, as palavras
estarão livres
vivificadas quando poesia.
|